Entrevista de Artur Miler ao Jornal Roda Vida

Artur Miler é o rosto da oposição na autarquia arouquense. Liderou a lista do PSD nas últimas eleições autárquicas e apesar de ter obtido um resultado bastante penalizador «que não me deu pesadelos», conseguiu manter dois vereadores no executivo camarário. O clínico de 51 anos de idade já exerceu um mandato de deputado municipal na Assembleia Municipal, além de ter comandado a estrutura laranja no anterior biénio.
Numa entrevista onde Arouca foi passada em revista, Artur Miler não teve papas na língua em criticar com dureza muitas das opções políticas e atitudes tomadas por Artur Neves, cujos resultados práticos para Arouca considera discutíveis.
Sobre a estratégia seguida pelo autarca ‘rosa’ na condução do dossiê da variante, Artur Miler foi implacável e apontou os sucessivos erros que conduziram a uma situação insustentável para os arouquenses. O PSD e a sua vida interna também foram aflorados na conversa, tendo o entrevistado elogiado o papel da JSD e sublinhado a instabilidade com que o partido tem vivido nos últimos anos.
Uma entrevista para ler e reflectir!
Trabalho de: José Carlos Silva

 

RODA VIVA - Tem expectativas positivas para Arouca numa eventual mudança de liderança política a nível nacional?
Artur Miler - As expectativas são sempre positivas desde que haja bom senso, rigor e verdade nas opções políticas municipais. Melhor dizendo, Arouca depende, actualmente, muito mais dela própria do que do poder central. Excepto, claro está, na conclusão da Via Estruturante! Aliás, o que eu espero, como esperam todos os arouquenses, é que o presidente da Câmara de Arouca e o ainda primeiro-ministro José Sócrates honrem as suas palavras e que a Via Estruturante arranque no mais curto espaço de tempo. Consequentemente, é meu desejo que seja Pedro Passos Coelho, na qualidade de primeiro-ministro, a inaugurá-la no seu primeiro mandato.

Vai ser mais fácil concluir a Variante?
Eu acho que teria sido muito mais fácil ao engenheiro Sócrates e ao Partido Socialista terem já concluído essa obra vital para o desenvolvimento do nosso concelho. Penso até que a 2ª fase da Via Estruturante deveria ter sido a primeira a ser construída mas, como já vem sendo hábito neste país, começaram a obra pelo terminal. Por outro lado, compreendo e concordo plenamente com a estratégia adoptada pelo dr. Zola que, para o nosso município e naquela altura, teve todo o cabimento pois este seria o troço mais caro e mais difícil de fazer.


Passos Coelho, por altura das Colheitas 2010, mostrou interesse em contribuir para a resolução desse dossiê.
Estou plenamente convicto de que, com o PSD, com Pedro Passos Coelho, a promessa de conclusão da ligação à Feira, se tivesse sido feita, teria sido cumprida. Em rigor, ele não fez essa promessa porque não a podia fazer! Não era nem ainda é primeiro-ministro, como é que a podia fazer? Mais ainda, estou também convencido que o presidente da Câmara de Arouca não teria tido necessidade de fazer aquelas gincanas políticas que fez e faz, puramente eleitoralistas, ameaçando greves de fome que não fez, pois ficou demonstrado que a haver fome foi só fome de poder; ameaçando ir para Lisboa assentar arraiais nos corredores do poder, em véspera de Natal! E, pasme-se, passar das palavras aos actos e, segundo ele próprio afirmou, ter ido mesmo a Lisboa à custa do dinheiro de nós todos e de lá voltar cabisbaixo e mansinho com, penso eu, uma palmadinha nas costas e um enganador “tenha calma” que a obra terá início um dia destes! Depois, aquele despacho “lava-mãos” que remeteu a promessa da “mãe de todas as obras” para o nível zero, etc. etc. Pior ainda, assistimos depois ao desabafo indecoroso dos “catraios” em que um diz que os outros o são e em que os outros calam e consentem. Então eu pergunto: será que consentiram ou apenas se vingaram do Presidente da Câmara de Arouca adiando a obra? E foi com “jamais” e “catraice” que o povo de Arouca foi sendo enganado, ludibriado e, como vemos, castigado! Quando, como vereador da oposição, propus a ameaça de demissão colectiva do executivo como forma de protesto público, o Sr. Presidente da Câmara recusou porque achou que não era dessa forma que se conseguiam resultados... Foi pena porque teria ganho credibilidade o nosso protesto e, quiçá, sairia o município reforçado, se porventura se tivesse de passar das palavras aos actos, mesmo com uma eventual reeleição.

Enquanto vereador, já influenciou algumas decisões do executivo camarário maioritariamente socialista?
Embora em minoria absoluta, já tive influência em muitas decisões da Câmara. Sabe que sempre foi meu timbre estar na profissão e na política de forma séria e ética, pensando e agindo pelas pessoas de Arouca e por Arouca, com preocupação pelo futuro desta terra e das suas gentes, sempre aberto à mudança, pondo sempre o futuro à frente do presente mas sempre com os pés assentes na memória do passado. O grande problema é que os eleitores baseiam a sua análise política praticamente na análise do presente e no seu confronto com o passado. Por isso, quando se projecta o futuro, quando se tenta vislumbrar o porvir, não somos ouvidos, quanto mais seguidos! O que é pena. Mas orgulho- me de, com algumas propostas, com muitas sugestões que não são do conhecimento da grande maioria da população ter, se não de todo, pelo menos parcialmente, mudado o rumo de algumas decisões. E como sou recatado na divulgação pública dessas propostas, o executivo não precisa de se afirmar pela imposição da maioria de tal modo que as decisões finais já aparecem com algumas nuances positivas. Embora pareçam ser da autoria exclusiva do executivo socialista pois são anunciadas até à exaustão pelo gabinete de comunicação da Câmara, pelos jornais, rádio, etc. e pelo próprio presidente da Câmara nos repetidos almoços discursivos e visitas alocutórias que o mesmo faz ao longo do ano a múltiplos locais e instituições do concelho.

A saída da vereadora Susana Silva enfraqueceu a posição social-democrata na Câmara?
É evidente que se perdeu uma excelente vereadora, oriunda do chamado fundo do concelho, experiente, inteligente e solidária. Para além disso, trabalha na Associação de Municípios das Terras de Santa Maria, de que Arouca faz parte, e tem um perfil profissional idêntico ao actual presidente da Câmara. Mas também é evidente que se ganhou um novo vereador, em idade e em funções políticas, fortemente ligado a esses sectores sempre esquecidos e desprezados pelos agentes políticos nacionais e locais: a agricultura e a pecuária. É um jovem vereador que lida diariamente com os problemas, anseios e preocupações dos agricultores, dos criadores de gado, dos produtores de leite. Conhece bem o concelho de lés a lés e, se tem tido sucesso profissional, foi pelo cuidado e empenho na procura de soluções para os agentes do sector primário do nosso concelho. Penso que fará um bom mandato, a bem dos arouquenses.

Mudou de opinião sobre Artur Neves depois de privar com ele nas reuniões do executivo?
Artur Neves é o nosso presidente da Câmara e eu não confundo a pessoa com opolítico. E tudo o que eu disse e direi sobre Artur Neves deve ser entendido como opinião política. E é assim que eu o vejo e é assim que eu o analiso. É lógico que não mudei de opinião e continuo a achar que, embora pense e trabalhe por Arouca e para os arouquenses, pois é essa a sua obrigação e foi para isso que foi eleito, é demasiado populista e preocupa-se muito com os resultados eleitorais da sua prestação política. Talvez algum deslumbramento e endeusamento pessoal em demasia que, penso, estarão a prejudicar de algum modo o real e efectivo trabalho de bastidores que Arouca já teve e de que muito carece actualmente.

Que opinião tem do projecto “Arouca Geopark”?
É um projecto muito interessante, ao qual eu e o PSD Arouca sempre nos consorciamos e que sempre mereceu a nossa concordância. Já conhecia bem o primeiro Geoparque português na Beira Baixa - o Naturtejo e, estou convicto que, se for bem conduzido, será uma imagem de marca para Arouca. Penso que será um pólo de atracção turística embora me pareça que esta Câmara está a relegar para plano secundário a nossa relíquia secular que o é o Mosteiro de Arouca, com o seu riquíssimo Museu de Arte Sacra da Real Irmandade e com a disponibilidade da vastíssima ala sul onde esteve a “Zona Agrária”. Aquele projecto falhado da Pousada atrasou, senão mesmo liquidou, a escolha e aposta noutra solução para aquele espaço. Sim, terá porventura arrumado de vez com a possibilidade de candidatar aquele espaço a fundos comunitários de monta que o pudessem transformar num verdadeiro pólo científico-educativo e turístico-cultural, fulcral para o desenvolvimento económico de Arouca. É sabido que o Programa Municipal do PSD previa outra forma de gestão para este Geoparque de Arouca, uma gestão mais profissional e mais independente da esfera política do executivo, nomeadamente através de uma Empresa Municipal de Turismo e Desenvolvimento, mais abrangente e, fundamentalmente, mais preocupada com objectivos económico-financeiros para Arouca do que com o “encher o olho” do eleitor.

É a favor ou contra a criação de um mega-agrupamento escolar no concelho?
Eu e o PSD Arouca somos claramente contra a criação de um mega-agrupamento escolar. E são várias as razões para esta nossa posição. Antes de mais coloca em causa os projectos educativos da Escola Secundária de Arouca e dos dois actuais Agrupamentos e cria impessoalidade e distância com a direcção pois englobaria centenas de professores e de funcionários e milhares de alunos. Por outro lado, visa meramente o corte nos custos de gestão ao implicar uma só gestão e uma só secretaria com óbvia perda de identidade com a escola e com o próprio agrupamento. Também coloca em causa os múltiplos projectos interdisciplinares desenvolvidos por cada escola, sendo a negação completa do que é o trabalho pedagógico, podendo até tornar-se ingovernável pois vai haver escolas que distam entre si trinta ou maisquilómetros. Por último, esta medida vem ao arrepio do quese faz nos países mais evoluídos, com agrupamentos de cerca de 700 alunos, e não existe ainda um estudo sobre o seu impacto no plano pedagógico e no funcionamento das escolas. A mesma estratégia foi já aplicada nos cuidados de saúde primários, de que são exemplos os Agrupamentos de Centros de Saúde, e os resultados ficaram muito aquém do esperado, sempre com prejuízo dos sectores mais frágeis e periféricos.

A criação de Unidades de Saúde Familiar (USF) é bom ou mau para Arouca?
As USF são boas em qualquer sítio e a todo o momento... desde que hajam profissionais de saúde disponíveis em número, em vontade e com condições físicas para as criarem. As USF são aliciantes para quem lá trabalha, porque sentem-se e palpamse os bons ou maus resultados, percepciona-se a boa ou má gestão e, desse modo, os profissionais de saúde vêm recompensado o seu esforço em prol da saúde da comunidade onde se inserem. No que à população diz respeito, as USF têm mais que provas dadas na satisfação dos seus utentes. Por isso, venham mais médicos de família para Arouca e mais USF se criarão.

O médico Artur Miler tem sentido na população os efeitos da grave crise económica e social em que o país está a mergulhar?
Claro que sim. E com um ritmo e uma gravidade avassaladoras. Todos os dias, no consultório médico, as pessoas expõem os seus problemas de falta de emprego, emprego precário, mal remunerado, em que os patrões, também por culpa das suas
dificuldades financeiras, exigem mais e mais rendimento no trabalho, levando muitos à exaustão física e ao trauma psicológico. É por demais conhecido o uso e abuso de calmantes e antidepressivos. Tudo isto se reflecte também no ambiente familiar e as nossas crianças são cada vez mais hiperactivas, ansiosas, obesas e agressivas. É um ciclo vicioso de prognóstico garantidamente mau mas de que ainda não temos real percepção do grau de gravidade nas gerações futuras.

A autarquia tem condições para acudir a situações de emergência social nas famílias arouquenses?
A autarquia vai acudindo, na medida do possível, às situações de emergência que se lhe deparam. No entanto, todos sabemos que praticamente só lá chegam as chamadas “famílias carenciadas informadas e conhecidas” ficando de fora tantos e tantos casos de pobreza envergonhada e de pobreza desinformada que, por isso mesmo, não recorre e, consequentemente, não beneficia desses apoios. Não fora o excelente trabalho de proximidade desenvolvido por abnegados funcionários de algumas IPSS do nosso concelho e muitos casos teriam atingido já foros de escândalo! Bemhaja a esses funcionários e agentes da solidariedade social do nosso município.

O resultado altamente desfavorável das “autárquicas 2009” ainda lhe causa pesadelos?
Pesadelos?! Ora, ora, fossem esses os meus pesadelos. O que me causa pesadelos é a situação catastrófica a que chegou o país pelas mãos do governo socialista de Sócrates e que terá consequências, certamente, também no município de Arouca, onde o nosso presidente da Câmara tudo prometeu e também foi governando “à Sócrates”.

Se pudesse, o que alterava na estratégia política eleitoral de então?
O resultado das autárquicas de 2009 não foi, de modo algum, altamente desfavorável ao PSD. Repare que o PSD concorreu sozinho, sem coligação, imediatamente a seguir à vitória do PS nas legislativas, com o presidente do CDS a concorrer como cabeça de lista à Assembleia Municipal, com o UPA ainda à sombra dos dois vereadores que tinha no executivo. Mesmo assim, o PSD manteve os dois vereadores que tinha. O que se passou foi um resultado altamente favorável ao Partido Socialista de Arouca e ao seu cabeça de lista, o engenheiro Artur Neves. O que me causa algum desânimo e alimenta um pouco de angústia é o facto de a grande maioria da população de Arouca ter sido enganada por vendedores de ilusões, como o foi o engenheiro Sócrates, e ter visto defraudadas as suas expectativas em relação à prestação do presidente da Câmara. Quanto à estratégia política da minha candidatura em nada a alteraria pois, feliz ou infelizmente, estes curtos 18 meses pós-eleições vieram dar-me razão, a mim e ao programa que apresentei aos arouquenses, ao Projecto Municipal para Arouca apresentado pelo PSD às autárquicas de 2009, que apontava seis portas para o futuro de Arouca, com uma forte aposta no empreendedorismo e na criação de emprego, sem descurar a qualificação das pessoas, o combate à exclusão social, a protecção do meio ambiente e a valorização da nossa identidade cultural. E realçava ainda outra meia dúzia de vectores para o crescimento de Arouca que incluía, como não poderia deixar de ser, o reforço do investimento municipal na exploração económica dos nossos valores culturais e patrimoniais, um apoio efectivo à economi familiar dos sectores agrícola, pecuário e florestal, por intermédio das nossas Juntas de Freguesia, um esforço acrescido no apoio à reactivação do comércio e do turismo. Sem esquecer a competitividade interna e externa, nomeadamente com um Plano Municipal de Modernização e Ordenamento dos Centros Urbanos das Freguesias do concelho, uma Via Verde de Reconstrução de Habitação Degradada, um Plano Estratégico Especial de Recuperação de Aldeias Históricas, e um projecto Político de Empresarialização Social que disponibilizaria lotes e pavilhões a preço simbólico para jovens empreendedores, fossem jovens em idade ou jovens na função, isto é, para todos aqueles que quisessem dar um novo rumo à sua vida activa, nomeadamente àqueles que pretendessem investir no auto-emprego, etc. etc. Enfim, um projecto e um programa actualíssimos! Deixo aqui um repto a este executivo e ao seu Presidente: revejam rapidamente o vosso programa e adaptem-no à realidade actual.

O que tem faltado ao PSD para voltar ao poder em Arouca?
As condições não têm sido favoráveis. O PSD vem de um processo de desgaste muito grande, com guerras abertas e divisões internas bem conhecidas de toda a gente. O PS vem de um processo completamente inverso em que as condições se conjugaram para que ele chegasse ao poder, nomeadamente através dum movimento independente - o PDA - e consolidou-se com o Dr. Zola. Foi um conjunto de pessoas fora do espectro partidário que se uniram em prol de um projecto comum e que apenas conseguiram levar esse projecto por diante quando o fizeram através de uma candidatura partidária. O PSD Arouca já tem um projecto a pensar no futuro dos arouquenses. Só precisa de um grupo de pessoas que comunguem desse objectivo comum e em que os eleitores apostem em definitivo. O PS de Arouca já não tem ideias nem projecto para Arouca. Além disso, convém recordar que nos últimos 16 anos, 13 foram governados pelo PS no poder central e isso tem influência na manutenção do poder autárquico. Os arouquenses ainda não deram oportunidade ao PSD. Arouca tem negado ao PSD essa oportunidade. Mas espero
bem que o PSD chegue lá por mérito próprio e não porque o Partido Socialista de Arouca tenha arrastado a nossa Câmara para uma situação desastrosa ou porque tenha feito opções erradas com repercussões fortemente negativas para o bem-estar e qualidade de vida dos arouquenses. Acho que chegou a hora de meditar neste facto: o PS governa Arouca há quase 20 anos!

A nova equipa do PSD Arouca tem condições para disputar a CMA em 2013?
Essa questão ainda não se coloca pois vai haver um processo democrático no PSD que elegerá a próxima Comissão Política que gerirá esse processo. O partido está no rumo certo, está unido, e ainda falta muito tempo. Vemos o PSD no terreno, a contactar as pessoas, a ouvir instituições, a auscultar empresas e empresários, a pensar e a delinear estratégias e soluções para Arouca e para os arouquenses. É um longo caminho mas tem que ser feito. Sem pressas, com rigor e perseverança.

A JSD Arouca tem grande militância e dinamismo, que depois não transita para a estrutura “sénior”, nem se traduz em captação de votos no eleitorado “autárquico”.Porque será?
Sim, é verdade que a JSD tem grande militância e dinamismo. É a maior e, podemos afirmá-lo, praticamente a única estrutura partidária jovem de Arouca que congrega jovens, que os motiva para a causa pública, num tempo em que os jovens fogem da política ou lhe passam ao lado. Ou, pior ainda, enveredam por tribos com objectivos fúteis ou amorfos! Mas também é verdade que a série de factores que enumerei anteriormente como desfavoráveis ao PSD também se tem revelado fortemente desfavoráveis à JSD. Mas o que é certo é que este grupo de jovens tem lutado permanentemente ao longo dos anos, com propostas e projectos para o concelho, sem desânimo, sem desfalecimentos, sempre com vontade de crescer e de mudar, sempre dispostos a colaborar, convictos de que com trabalho e dedicação se chega a bom porto. Repare que a minha candidatura teve o apoio incondicional e permanente da JSD, de muitos jovens, foi uma candidatura com poucos recursos mas com muito empenho e muita força de convicções da JSD, em que a grande fatia de apoio de base esteve em muitos jovens da JSD que não viraram a cara à luta, que enfrentaram com educação, coragem e determinação o adversário, que deram o seu melhor. E houve uma interessante participação da juventude na elaboração do nosso projecto eleitoral. O PSD e Arouca devem orgulhar- se destes jovens e reconhecer o seu esforço e dedicação em prol da causa pública.

Partilha da máxima que diz que “os inimigos estão dentro do partido e os adversários nos outros partidos”?
Não, claro que não! Nunca senti isso, antes pelo contrário! Na minha óptica, os adversários ajudam o partido a crescer; os inimigos destroem-no.

Equaciona uma eventual recandidatura à CMA?
As candidaturas não se equacionam a prazo. Acontecem! E quero dizer o seguinte: foi uma honra ter liderado o PSD Arouca durante quatro anos. Enfrentei três eleições no mesmo ano - europeias, legislativas e autárquicas. Foi uma experiência marcante e enriquecedora que me deu a conhecer extraordinários companheiros de luta política.
Em Arouca e fora de Arouca, dirigentes distritais e nacionais, candidatos autárquicos, ao Parlamento português e europeu. Orgulho-me de ter sido candidato mesmo em condições extremamente adversas. Orgulho-me de ter colocado novamente o PSD como única força de oposição na Câmara. Terá sido o pior resultado eleitoral do PSD, mas terá sido porventura uma grande alavanca para o futuro. Creio ter conseguido limar arestas e cortar muitas amarras no PSD Arouca. Assumi a vereação, estou e estarei sempre em sintonia com os dirigentes do PSD Arouca desde que me sinta útil ao PSD e especialmente a Arouca e aos arouquenses. Procuro, para isso, manter-me permanentemente a par dos problemas, anseios e necessidades do concelho. Na procura e defesa do equilíbrio nos apoios às freguesias, na defesa intransigente do primado do politicamente necessário, apostando sempre na preocupação com o futuro, na procura e defesa daquelas que creio serem as melhores e mais frutíferas soluções.

De que sente mais orgulho
em Arouca?
Da beleza paisagística do concelho, do seu majestoso Mosteiro, da sensibilidade e solidariedade da população, e de um pormenor que faz a diferença de Arouca relativamente a todos os outros concelhos - a limitação da construção em altura e, por conseguinte, da harmonia aprazível dos aglomerados urbanos que a torna uma autêntica pérola rara no meio do urbanismo caótico que polvilhou este país de lés a lés.