Dificuldades no desejado alargamento do ensino musical em Arouca estiveram em foco

Continuando um conjunto de atividades que visam conhecer melhor a realidade arouquense, o PSD Arouca visitou recentemente as instalações da Academia de Música de Arouca (AMA), com o intuito de perceber os seus atuais desafios e preocupações, nomeadamente no que concerne aos problemas recentes com o alargamento do ensino desta instituição.

A Academia de Música de Arouca é uma Associação fundada em 1998, que tem como objetivo o ensino, divulgação e promoção da cultura musical e artística. É uma escola oficializada, com contrato de patrocínio com o Ministério da Educação, que tem nos seus quadros 22 professores e quatro funcionários administrativos para dar resposta às múltiplas disciplinas frequentadas por uma média de 180 alunos de todo o concelho, do 5º ao 9º ano de escolaridade, com protocolos com os Agrupamentos de Escolas de Arouca e Escariz, sendo a única escola oficial no ensino artístico e profissional do concelho de Arouca.

De forma a poder evitar que os alunos que queiram seguir a vertente musical, após o 5º ano -curso do ensino básico na música -, tenham de sair de Arouca, a AMA tem vindo a encetar esforços junto da Direção Regional do Ensino Secundário e Artístico, no sentido de poder alargar a sua oferta ao ensino Secundário, precisando também para tal de novas instalações.

Edgar Soares, presidente da AMA, explicou que tem vindo “a mover os maiores esforços no sentido de sensibilizar o executivo da Câmara Municipal de Arouca (CMA), para a importância e riqueza deste projeto, até como opção para os jovens arouquenses, e nesse sentido a AMA tomou a iniciativa de adquirir um terreno que possibilitasse a construção de novas instalações, terreno que a AMA já colocou à disposição da Câmara a título de doação, para que esta aí construa uma verdadeira Casa da Cultura em Arouca. Nesta, além da música, em todas as suas disciplinas, a AMA pretende que se evolua para as componentes de ensino do Bailado Clássico e Contemporâneo, bem como o curso de Canto.” No entanto, o representante da AMA esclarece que apesar de alguns acordos de princípio já esbatidos em várias reuniões com a CMA, esta “não ata nem desata, andando já há vários anos de projeto em projeto sem nunca avançar com algo palpável”.

Para Rui Vilar, presidente do PSD Arouca, “é inacreditável que se ponha em causa o alargamento até ao Secundário, uma vez que desta forma se está a limitar o ensino musical e artístico às pessoas com mais posses, que conseguem financiar a ida dos seus filhos para fora de Arouca. Como é visível, é viável a possibilidade de termos estas valências em Arouca, assim como o tão necessário Auditório Municipal, entre outras infraestruturas de não menos importância, pelo que não se entende como é que a CMA não avança com o projeto com o qual concordou e se comprometeu, como é dito, há vários anos.”

O líder dos social-democratas arouquenses sublinha ainda o facto de existirem “vários eventos culturais promovidos pela CMA onde são gastos milhares de euros com artistas de fora de Arouca, quando as prioridades deverão valorizar e premiar sempre, numa primeira abordagem, os recursos humanos e artísticos locais”. Acrescenta ainda que se vê “um bem-vindo apoio ao futebol, mas gostaríamos de ver as verbas municipais melhor distribuídas, não só por outras modalidades desportivas, mas também nas áreas da cultura e solidariedade e ação social.” Rui Vilar finaliza indicando que “primeiro têm de estar as pessoas, e neste caso, os artistas da terra assim como os seus voluntariosos e valorosos movimentos associativos.” “Esta é e será a nossa forma de fazer política. Cumpriremos e estamos preparados para vencer as próximas autárquicas pelo futuro de Arouca.”